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Será o fim da Flexografia?

Com o surgimento das tecnologias de impressão digital comercial colorida, em meados do séc. 20, dúvidas, boatos, incertezas e, uma inquietante pergunta tem sido feita desde então: O fim da era Flexográfica está próximo?


*Por Rafael Borges - Flexo in Foco

Benny Landa: O despertar de um futuro incerto.

Em 1952, o processo flexográfico atingia sua maturidade como um processo de impressão confiável e um enorme potencial de crescimento. Nos anos que se seguiram, houve um progresso sem paralelo no mercado da impressão flexográfico, até o surgimento de Benny Landa. Em 1993, Landa mostrou ao mundo sua revolucionária E-Print 1000, criando inseguranças no segmento flexográfico banda estreita. Os campos de incertezas ficaram em maior escala, com a venda da Indigo em 2002, para a mundialmente conhecida Hewlett- Packard (conhecida também pelas iniciais HP, de onde se derivou o nome HP-Indigo). O mundo da impressão flexográfica banda estreita, estava assistindo atônito, ao surgimento de uma tecnologia totalmente nova e agressiva, que prometia dividir as opiniões de convertedores e de seus clientes finais.


O Potencial hibrido da flexografia: a reação de um mercado assustado

Mas, o grande potencial do processo de impressão flexográfico, uma vez mais, passaria por uma nova onda de transformações tecnológicas, impulsionada pelas empresas globais Mark Andy, OMET, Gallus e Nilpeter, que marcaram definitivamente o mercado de impressão, com suas inovações tecnológicas, criando no início do séc. 21, os conceitos híbridos de impressão. E mesmo com tamanhas inovações em máquinas e em toda a cadeia de insumos, uma fatia considerável de compradores começaram a redirecionar seus produtos para as tecnologias de impressão digital. Segundo a Smithers Pira, entre os anos de 2012 e 2017, a migração da tecnologia de impressão convencional para digital, estava prevista na ordem dos assustadores 20%.


Os efeitos da disruptura tecnológica: análise dos efeitos e comparações.

Porém, devemos nos lembrar que o fim de uma tecnologia não depende apenas do surgimento de uma tecnologia rival. Existem inúmeras questões de ordens técnicas e mercadológicas, que definem a sua substituição. Será que os efeitos disruptivos da impressão digital, possui todos os atributos necessários capaz de causar uma substituição tecnológica em massa, no segmento flexográfico de banda média e estreita? A resposta é um afirmativo não. A flexografia possui uma multiformidade de aplicações que deixam outros processos em desvantagens significativas, mesmo para os conceitos digitais. E o que poderia ser visto como um sinal de adeus pela flexografia, na verdade, marcou o início do fortalecimento dos conceitos híbridos, para a indústria de impressão flexográfica.

Equipamentos digitais possuem algumas limitações em relação ao sistema flexográfico. Dentre elas, destaco 4:

1. Velocidade:

Digital:40mts/min

Flexografia: 120mts/min

2. Acabamento em linha:

Digital: Não possui

Flexografia: Possui inúmeras possibilidades de acabamento in-line 3. Resistência à luz:

Digital: inspira cuidados

Flexografia: boa resistência

4. Insumos:

Digital: os suportes de impressão e tinta, são fatores não flexíveis para os equipamentos digitais. Existe uma condição técnica dos insumos, muito mais rígidas e exigentes a serem atendidos em relação à flexografia. Flexografia: pode imprimir em diversas gramaturas e tipos de substratos.


Embora estes fatores sejam os pontos cruciais para a impressão digital, ela possui vantagens como setup reduzido, acuracidade na reprodução das cores, execução de impressão em G7 com alta fidelidade, e um lead time inferior ao da flexografia para pequenas e médias tiragens (preços aqui podem ser maiores aos executados em flexografia).


A compreensão e assimilação do mercado: o futuro não está claro, mas o que deve ser feito está!

Sistemas digitais não podem ser vistos como um “substituto” do sistema de impressão flexográfica; ela se tornou um fator “complementar”, no qual a base estratégica da empresa, deve ter a capacidade de enxergar as potenciais oportunidades de aplicação, para ambas tecnologias.

A impressão digital não está atingindo apenas a flexografia; offset, Rotogravura e serigrafia também estão sendo afetados, tendo que assistirem seus mercados serem compartilhados, com a tecnologia digital. Mesmo o segmento flexográfico banda larga e a impressão de papelão ondulado, estão vendo seus mercados serem invadidos por esta tecnologia.


Resumindo

Equipamentos flexográfico e digitais irão coexistir ainda por um bom tempo. A digital abriu novas frentes de mercados, mas ainda não tem os requisitos necessários para desbancar a flexografia, assumindo o primeiro lugar. Segundo Severo (administração de logística integrada pg 154), a união dos propósitos produtivos devem ser a força motriz da indústria. Em todas as eras, desde que os seres humanos escreviam em tabuinhas de argila, as substituições tecnológicas existiram juntamente com a capacidade humana de se adaptar. O mercado flexográfico de banda média e estreita, está mais sólido do que nunca! Forte abraço.

*Rafael Borges é consultor especializado em flexografia banda estreita, com formação em tecnologia gráfica pela faculdade SENAI Theobaldo De Nigris, pós-graduado em gestão industrial, idealizador do grupo Flexo In Foco

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